Viajar é preciso, é preciso.
Toda vez que o mundo me bate, eu fujo. Porque aprendi que fugir era uma forma de fugir das sintada do meu pai. Acabo de acordar de um pesadelo, eu havia brigado com meu irmão. E eu sabia que ia apanhar, entao tentei a fuga pelo portão da minha casa da infância na Rua Netuno. Eu consegui pular, mas meu pai venho atrás, e eu fugia, pulava de telhado a telhado, muros altos, e ele tentava agarrar meu pé. Aquele sentimento de pânico e conseguir fugir dali era como se fosse um respiro. Acordei no ápice do pesadelo, quando aquele sentimento estava mais aflorado. E ainda na frequência baixa, meu cérebro conseguiu resgatar algumas lembranças bem esporádicas, flashes, momentos curtos em que apanhei implorando que parasse, e ali deitado na posição fetal eu só elaborava formas de fugir daquele lugar. E os planos ocupavam minha mente e acompanhavam os devaneios dos meus pensamentos, quase como se fosse um filme que me distraia e me aliviasse minhas dores físicas e mentais. Sei que ...